Bastin, Marie-Louise. 1999. Escultura Tshokwe Sculpture - Marie Louise Bastin. 1ª ed. 1 vols. Vol. 1. Porto: Multitema. Da Introdução A exposição Escultura Tshokwe reúne cerca de meia centena de peças, de valor inestimável, pertencentes a diferentes instituições portuguesas, procurando homenagear a Prof. Doutora Marie-Louise Bastin, a quem se deve o aprofundamento do seu estudo e o modo como conseguiu salientar e fazer compreender a singularidade da expressão artística daquele povo.
The exhibition Tshokwe Sculpture presents about fifty invaluable objects, which belong to different Portuguese institutions. In its essence, it seeks to honour Professor Marie-Louise Bastin, to whom we owe the deepening of our knowledge regarding this sculpture and, above all, the way in which she was able to distinguish and make us understand the singularity of this people's artistic expression. |
GONÇALVES (Org.), António Custódio. 2001. Multiculturalismo, Poderes e Etnicidades na África Subsariana. Papers at IV Colóquio Internacional "Multiculturalismo, Poderes e Etnicidades na África Subsariana", 2002, at FLUP - Porto. Introdução No âmbito dos trabalhos desenvolvidos pela linha de investigação "Estados, Poderes e Identidades na África Subsariana", integrada na Unidade I&D, financiada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, publicam-se as Actas do IV Colóquio Internacional "Multiculturalismo, Poderes e Etnicidades na África Subsariana", realizado na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, nos dias 4 e 5 de Maio de 2001. A análise de temáticas como o multiculturalismo, os poderes e as etnicidades por especialistas em estudos africanos é importante, sobretudo pelo questionamento de algumas visões etnocêntricas da história e das mutações em África e pelas rupturas metodológicas nos modelos conceptuais e teóricos. O contributo das Ciências Sociais e Humanas torna-se necessário para compreender e explicar as dinâmicas sócio-políticas dos processos ambivalentes de identificação e de reivindicação étnica do poder, e também, numa perspectiva de intervenção, para prevenir os conflitos induzidos pelos afrontamentos inerentes aos reforços dos fenómenos pluri-étnicos e multiculturais. Estes fenómenos políticos de heterogeneidade étnica e cultural, associados a processos de pertenças sociais ou territoriais, revelam-se, por vezes, com acentuações maximalistas ou minimalistas de clientelismo. As etnicidades cristalizaram, durante o período colonial e após as independências, a percepção da diversidade cultural. Esta cristalização de "etnias" reenvia depois a processos de dominação política, económica ou ideológica. Elaboram-se e justificam-se, assim, as estratégias individuais e colectivas pela conquista dos poderes. Várias interpretações dos fenómenos políticos da África contemporânea integraram as "etnias" e os "Estados nacionais em construção" em esquemas simplistas e imutáveis. Ora, as "etnias" constituem uma sucessão de configurações e representações que, na história de longa duração, dão corpo e vida às identificações sociais e às identidades culturais. Daqui resulta a necessidade de reavaliação crítica das etnicidades. É, por isso, que estes debates não devem ser meramente teóricos. É no âmbito da problemática mais vasta do multiculturalismo, como matriz do Homem Universal e de uma nova cultura, que importa analisar os factos contemporâneos quanto à compreensão das novas éticas e das novas lógicas sociais subjacentes às sociedades africanas e que constituem novos desafios para as Ciências Sociais e Humanas. Nas conferências deste Colóquio cruzam-se dois olhares: as encruzilhadas de tempos e espaços que produzem novas identidades: as identidades de longa duração constituídas pelas grandes tendências de África e as identidades contemporâneas associadas às perspectivas políticas e sociais de hoje. Por isso, se analisa o passado para melhor compreender as realidades do presente e poder assim diagnosticar as perspectivas futuras na sua dimensão histórica. Cruzam-se novos modos de vida, novos valores, novas identidades sociais e novas alteridades culturais. Estas são construídas sobre duas matrizes: o modelo tradicional e o modelo da modernidade. São culturas bipolares, mas interactivas e complementares, e como tal devem ser analisadas; constituídas pela vertente tradicional, centrípeto, privilegiando os comportamentos repetitivos e harmónicos, e pela vertente modernista, conflitual, voltada para a inovação e para a visão prospectiva. Estas duas matrizes apresentam-se com uma relação antagónica e, por vezes, agonística e fundamentalista. Assiste-se, hoje, a uma crise de alteridade generalizada traduzida por fenómenos tais como fundamentalismos e nacionalismos, crises e decomposição dos Estados. Associada a esta crise de alteridade está uma crise de sentido. As relações de sentido constituídas pelas alteridades e identidades instituídas e simbolizadas pelas encruzilhadas, encontros e desencontros de culturas formam a complexidade das sociedades da África Subsariana. Esta complexidade resulta da singularidade que as constitui e a universalidade que as relativiza. Importa, pois, reflectir sobre os défices de sentido na África de hoje. Na análise do multiculturalismo é necessário compreender as duas lógicas da globalização: uma que consiste na erradicação das diferenças culturais, a outra que se associa à tolerância das diferenças e à oposição ao reconhecimento político e institucional da alteridade colectiva. Em sociedades de globalização generalizada e falaciosa, onde predomina o individualismo, de tábua matricial de valores estandardizados aceites acriticamente e de fenómenos avassaladores de burocratização e das indústrias culturais mediáticas, temáticas como o multiculturalismo, o reconhecimento dos outros, a diversidade e a alteridade convocam a análise pluridisciplinar das Ciências Sociais e Humanas e promovem movimentos pelos direitos humanos, pela paz e pelas políticas de desenvolvimento sustentado, que minimizem as políticas do desenvolvimento assimétrico, muitas vezes subvertidas pela subjugação das identidades culturais e dos direitos humanos às leis do mercado. O saber-viver as identidades e as alteridades induz novas configurações das solidariedades, na luta enérgica contra a exclusão social, a pobreza e a xenofobia, e contra a desumanização, a perda das identidades culturais, a ruptura do equilíbrio da relação do homem ao grupo e do homem com a natureza. Induz, igualmente, novos processos de construção da democracia, do desenvolvimento e da cidadania que assegure a autonomia e o respeito pela diferença, numa comunidade de leis e de valores culturais. Assim, para minimizar os efeitos perversos da globalização, afigura-se necessário e urgente a integração e a adequação da racionalidade económica e da inovação tecnológica com a criatividade do desenvolvimento, os sistemas normativos dos valores africanos, numa interacção construcionista e complementar da tradição e da modernidade. |