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Artigos Electrónicos |
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Globalização e Desenvolvimento: Realidade, Possibilidade ou Miragem? ~ Carlos Pimenta  |
Resumo / Abstract Uma leitura científica da sociedade actual exige uma crítica das evidências e uma reanalise da história recente contada e propagandeada pelos vencedores. A globalização, fase recente da mundialização do capitalismo imperialista, caracteriza-se diferencialmente, entre outros aspectos, pelo aumento da importância dos mercados financeiros, assente no capital fictício. Globalização é agravamento das desigualdades económico-sociais à escala mundial e importância crescente da economia subterrânea na reprodução do sistema. A história da economia mundial ao longo dos séculos e o aparecimento das problemáticas do desenvolvimento mostram que estamos perante uma dinâmica que predominantemente associa os interesses dos países desenvolvidos com a realidade de uma intensa prática diplomática, económica e de «cooperação» cujos resultados efectivos são fracos, nulos ou até contraproducentes. A síntese da globalização e das práticas de desenvolvimento conduz a um dos períodos mais dramáticos para os povos dos países subdesenvolvidos, nomeadamente de África. Este continente é um espaço geográfico-social em que os impactos da globalização e as práticas do desenvolvimento mostram convincentemente quanto as agendas político-económicas e os actuais modelos económicos e sociais podem ser prejudiciais para a vivência e a sobrevivência dos povos. Com base na informação estatística disponível e nos modelos teóricos esboçados procuraremos destrinçar a realidade das miragens, traçar algumas pistas de investigação e de política para mudar alguns aspectos desta situação. A scientific reading of modern society requires a criticism of what we can see around us and a re-analysis of the recent history told and propagandised by the winners. Globalisation, the recent stage of the worldwide spread of imperialist capitalism, is characterised differentially, among other aspects, by the increase in the importance of the financial markets, based on fictitious capital. Globalisation is the worsening of the economic and social inequalities on a world scale and the growing importance of the underground economy in the system’s reproduction. The history of the world economy over the centuries and the appearance of the problems of development show that we are faced with a dynamic that predominantly associates the interest of developed countries with the reality of an intense diplomatic, economic and “cooperative” practice, whose effective results are weak, null or even counterproductive. The synthesis of globalisation and of the practices of development has led to one of the most dramatic periods for the people of the underdeveloped countries, namely in Africa. This continent is a geographic-social arena in which the impacts of globalisation and the practices of development are convincing proof of how much politico-economic agendas and present economic and social models can harm the way of life and the survival of different peoples. Based on the available statistical information and on the theoretical models outlined, we will seek to disentangle the reality from the mirage, draw some clues for research and for policies that will change some aspects of this situation. |
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Ordenamento Estratégico da Educação ~ Maria Fernanda Correia & Carlos Pimenta  |
Resumo / Abstract A educação (a escolar e a não escolar) é um direito dos cidadãos. É fundamental para o desenvolvimento expressando-se inevitavelmente numa dimensão local. É tanto mais importante quanto a situação periférica do espaço de intervenção. Deve dar-se um entendimento amplo à educação englobando todos os aspectos da formação efectiva ou potencial. Por isso mesmo ela é uma faceta da totalidade dos fenómenos sociais, pelo que exige uma interligação ou integração com outros aspectos do todo em que se insere. Nas regiões periféricas, pode assumir particular interesse estar atenta às articulações com o adensamento das relações intersectoriais. É um espaço social de interacção de múltiplos agentes sociais com diferentes consciências possíveis e olhares multifacetados. As Cartas Educativas podem ser processos de análise e intervenção articulada em todos os níveis de ensino e entre o ensino e a investigação; de integração estratégica da educação e da formação profissional; de compatibilização do nacional, do regional e do local; de aproveitamento do conhecimento tácito; capazes de abarcar a multidimensionalidade das decisões políticas estratégicas de transformação da educação e da vida. Assentes no conhecimento da sociedade, aposta numa metodologia participativa e numa lógica de viragem para o futuro. As Cartas Educativas enquanto processo são mais do que um documento. Assentes na participação, na monitorização e numa gestão de projecto, renovam-se com a dinâmica do quotidiano e encontram em cada momento as formas de intervenção mais adequadas. Education (school and non-school) is every citizen’s right. It is fundamental for development and is inevitably expressed within a local dimension. The more peripheral it is, the more important it is. A broad understanding should be given to education, involving all aspects of effective or potential training. This is exactly why it is an aspect of the sum of social phenomena, which means it needs to be interlinked or integrated with other aspects of the whole of which it is a part. In peripheral regions, being aware of the links with the densifying of intersectoral relations may be of particular interest. It is a social arena of interaction between multiple social agents with different possible consciences and multifaceted views. Educational Charters can be processes of analysis and intervention that are linked at all levels of teaching and between teaching and research; of strategic integration of education and professional training; of making national, regional and local levels compatible; of making the most of tacit knowledge; capable of embracing the multidimensional nature of the strategic political decisions for transforming education and life. Based on knowledge of society, they foster a participative methodology and a turning point for the future. The Educational Charters as a process are more than a mere document. Based on participation, monitoring and project management, they are constantly renewed according to the day-to-day dynamic and find in each moment the most suitable forms of intervention. |
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