Baptista, Maria Luísa. 2007. Vertentes da Insularidade na Novelística de Manuel Lopes. 1ª Ed. electrónica ed. 1 vols, e-books. Porto: Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto. Prefácio Chuva Braba e Os Flagelados do Vento Leste, como representantes maiores da ficção daquele Autor, foram analisadas à luz de uma abordagem de tipo estrutural. Em linhas gerais, em cada uma das narrativas procurei inventariar os elementos estruturais, pôr em relevo o seu valor relativo (a sua funcionalidade) pelo relacionamento orgânico, esteticamente motivado (necessário) e significativo no todo coeso que é a obra; enfim, perspectivar sempre a investigação numa dimensão semântica. Embora tivesse operado a partir de uma análise imanentista, não o fiz, deliberadamente, de forma estritamente ortodoxa: se cada obra é um todo, um cosmos, literariarnente funcional, em Manuel Lopes o conjunto da sua produção novelística há-de revelar-se, como tenciono demonstrar, um grande sistema integrado e dinâmico, um macrocosmos. É hoje comummente aceite como uma aporia metodológica o imanentismo puro, tanto quanto o mero mecanicismo funcional da prática estruturalista; por sentir a incompletude do procedimento é que procurei entretecer esta prática com o meu olhar interpretativo, não exactamente hermenêutico(3), não exactamente subjectivo; antes estabelecendo laços relacionais entre os componentes prévia e objectivamente isolados. Foi por este caminho que procedi à análise e que cheguei à reflexão sobre a transposição literária das vertentes mais relevantes da dimensão vivencial da insularidade, na actualidade diegética da obra de Manuel Lopes. Tal era o meu objectivo fundamental. (...) Pretendo observar como Manuel Lopes procede ao tratamento estético do factor insularidade na vivência e cosmovisão peculiares do Caboverdiano. Assim, o estudo abre com uma rápida contextualização temática a partir do conceito polissémico de insularidade. Segue-se-lhe a análise intrínseca de Chuva Braba e depois a de Os Flagelados do Vento Leste. O capítulo subsequente, decorrente destas análises, desdobra-se em vários subcapítulos: eles reflectem sobre as facetas que, nesse universo, considerei nucleares como vertentes da insularidade vivencial. É essencialmente este o passo do texto que repercute a fase da investigação que responde à questão inicial. Um capítulo de «Conclusões» completa o estudo. |