Highlights

Escravatura: prática criminosa ou promoção do homem africano? - Uma interpretação sociológica da história de África

 

Índice:
Introdução
I. Descobrimentos e incursões armadas
   1.Um retrato «venenoso»
      1.2. Promoção do homem africano?
         1.2.1. Um complexo jogo de interacções
         1.2.2. Princípios da modernidade?
         1.2.3. Abolição como obra europeia
II. Uma leitura perigosa
III. Uma (re)leitura sociológica da história de África
IV. A Reconstrução de África como meta
Conclusão

 


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Documento e Referências


 

Resumo / Abstract

A escravatura é um dado histórico, vivido em todas as áreas africanas que foram controladas, em tempos idos, pelas potenciais coloniais. O tema tem merecido muitas referências até aos nossos dias, e abordado no contexto do colonialismo, especialmente no capítulo que toca o processo do tráfico de escravos. Pelo que está bem claro que escravatura representa uma realidade que ocupa um lugar de destaque nos manuais de história, antropologia, sociologia e filosofia elaboradas no contexto africano.
Na verdade, a temática tem sido tratada, na nossa opinião, de uma forma sensacional, suscitando um certo pessimismo, ressentimentos e até complexos de inferioridade em muitos africanos que, com esta perspectiva, aderem, com uma certa facilidade, a um espírito de vingança, que não deixa de parte sentimentos racistas.
Assim sendo, nota-se que, embora não ocultando a verdade histórica, a forma habitual de abordar este problema não tem sido muito coerente, em muitas circunstâncias, na medida em que o acento tem sido colocado mais pela negativa.
Entretanto, tendo em conta a história de África na era pós-colonial, que também não é nada muito famosa, na medida em que uma espécie de neocolonialismo se instalou no continente, não trazendo muita felicidade aos povos que esperavam por dias melhores depois das independências, é lógico que a história de África seja repensada, para uma boa reavaliação do problema da escravatura no continente negro.
E mais: numa altura em que modernidade vai sendo cada vez mais uma realidade no âmbito da globalização, e com o avanço das ciências sociais, articuladas com a hermenêutica e com a epistemologia, a história vai sendo questionada de uma forma lógica, permitindo que a nova leitura dos acontecimentos mereça, hoje, novas considerações, quando o contexto actual é completamente diferente do mundo de ontem. Muita coisa mudou. Pelo que a história de África merece uma nova interpretação, para apurar um novo quadro de referência na abordagem dos temas do género.
Com uma hermenêutica coerente e bem actualizada, questionando a história de África e sem viciar os seus factos, surge mesmo uma necessidade lógica para reler os factos históricos. Nesta linha, a filosofia e a sociologia oferecem critérios seguros para avaliar os acontecimentos de ontem, vivendo o presente com olhos postos no futuro, cuja projecção deve ser apoiada por outros ideais: a reconstrução do continente. Assim, passar-se-á das «desgraças» do passado para a vida digna de hoje, que deve assumir o projecto de edificação de uma África nova, que aposta no progresso e desenvolvimento, refazendo, assim, a sua história. São estes desafios que devem ser reconhecidos quando se estuda, hoje, a história do continente negro, especialmente a matéria sobre a escravatura.


Slavery is an historical given fact in all African regions that were controlled, in former times, by the potential colonies. The theme has had a lot of references till nowadays and was approached in the context of colonialism especially in what concerned the slave trade process. It is clear that slavery represents a reality that has a leading place in the books of history, anthropology, sociology and philosophy in the African context. In reality, this theme has been studied, in our opinion, in a sensationalist way creating a certain pessimism, resentment and even an inferiority complex in many Africans who, in this perspective, cling, with a certain ease, to a spirit of revenge giving way to racist feelings.
Thus, we notice that, although not hiding the historical truth, the usual approach to this problem has not been, in many circumstances, very coherent because the negative part has always been accentuated.
Meanwhile, and considering that the history of Africa in the post-colonial era is not in itself very recommendable due to a kind of neo-colonialism that has established itself in the continent which did not bring happiness to the peoples who expected it after the independence, it is natural that the history of Africa be rethought for a better reassessment of the problem of slavery in the black continent. Furthermore: in a time when modernity is more and more a reality in the domain of globalisation and with the advance in social sciences articulated with Hermeneutics and epistemology, history is continuously questioned in a logical way allowing for new considerations in the new reading of these events, now that the world context is completely different than before.
A lot has changed. The history of Africa deserves a new interpretation in order to create new references in the study of these themes.
With a coherent and updated Hermeneutics questioning the history of Africa and without twisting the facts there is a logical need of rereading historical facts. In this line of thought, philosophy and sociology offer safe criteria to access the events of yore, living the present but set on the future which must be supported by other ideals: the reconstruction of the continent.
Thus, we can move from the “misfortunes” of the past onto a current dignified life that must include the project of building a new Africa set on progress and development, therefore rebuilding its history. These are the challenges that must be recognised when we study the history of the black continent today, especially in what slavery is concerned.

R&D Supported by

R&D Unit integrated in the project number UIDB/00495/2020 and UIDP/00495/2020.

 

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